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A Primavera virou inverno

Vamos falar português bem claro: essa “pseudo” reforma política que está sendo gestada por Eduardo Cunha e cia, nada tem a ver com a proposta da OAB, defendida pela CNBB e desejada pela população, que anseia por mais participação popular e menos interferência do poder econômico na política.
Essa pseudo reforma seria adequada ao antológico filme ”O Leopardo“ onde se mostrava claramente que “as coisas devem mudar, para ficar exatamente como estão”.
É uma reforma recheada de hipocrisia, pois quer manter as doações privadas de campanha (historicamente a maior fonte de corrupção no sistema político), diminuir o tempo de exposição das ideias na propaganda política e transformar os Deputados Federais e o Congresso, num convescote de síndicos de prédio.
Num período que a sociedade brasileira deseja ética na política, ela vai manter o poder de bancos e empreiteiras no processo político nacional? Vai diminuir o tempo de discussão política na já nossa despolitizada TV brasileira? Isso é aumentar a participação popular? Vai transformar a eleição para o Congresso Nacional em uma disputa para ver qual candidato vai conseguir mais bolas e camisas para o time de futebol do bairro? Isso é ajudar na politização do povo brasileiro? Alguns falam em baratear custos de campanha. Concordo! Basta que os custos não sejam inflados por “ pedágios “ exigidos por muitos políticos, esses mesmos que estão fazendo essa tal reforma.
E se é para baratear custos, vamos propor para que todas as empresas parem de anunciar os seus produtos na mídia. Sem os altos custos de produção e veiculação de seus comerciais, certamente todos os produtos sairiam mais baratos para os consumidores, o que seria bem adequado a esses tempos de crise.
Essa tal reforma política que Eduardo Cunha e seus discípulos estão elaborando para “atender“ a voz das ruas está me lembrando muito as tão faladas jornadas da primavera árabe, que como todos sabemos, terminou em mais uma implacável ditadura no Egito.