Um povo sem memória é um país sem futuro

Essas palavras estavam escritas em um setor vazio das arquibancadas do Estádio Nacional de Santiago, no Chile. Uma absoluta e sábia verdade que os brasileiros puderam ver durante a transmissão de TV da final da Copa América. Esse pedaço das arquibancadas vazias com a frase acima é exatamente para os chilenos lembrarem os anos duros da ditadura militar. Naquele setor das arquibancadas estiveram milhares de presos políticos, que foram lá torturados e até mortos pelos militares de Pinochet. O objetivo é impedir que tragédias, como essa, não voltem a acontecer no Chile.

Por aqui, nesses tempos de turbulência política, seria muito útil que brasileiros lessem a carta-testamento de talvez o mais importante presidente do Brasil: Getúlio Vargas, que se suicidou logo após escrever a carta. Verá que muito que Getúlio escreveu, poderia ter sido escrito hoje.

Como também seria útil ler e conhecer melhor a tentativa de derrubar o Presidente Juscelino e os fatos que envolveram a queda do presidente Jango, eleito democraticamente.

Se os brasileiros se interessarem por fatos tão importantes da história do Brasil, vão verificar que muitos fatos se repetem dramaticamente. Mas infelizmente, parece que o slogan “Um povo sem memória é um país sem futuro” interessa mais aos chilenos que aos brasileiros. Eles foram campeões da América e nós não passamos nem das quartas de final.

A Copa América e o marketing político

Você acredita que Bolívia, Equador, Paraguai, Venezuela, Colômbia, México, Uruguai ou Argentina são melhores que o Brasil?
Em desenvolvimento humano, industrialização, pujança, grandeza das cidades, agricultura, belezas naturais, na simpatia de seu povo, você acha que esses países são muito melhores que nós? Você acha que seus povos têm muitos mais motivos de se orgulhar do que nós brasileiros?
Claro que não. Tirando um ou outro item pontual, O Brasil sai na frente. Pergunte a um europeu, americano ou asiático, qual é o melhor país da América Latina? Duvido que de cada dez respostas, nove não digam Brasil.
Até nosso hino é mais bonito que todos. Assistindo aos jogos da Copa América de Futebol, vejo jogadores e torcedores de todos os demais países da América cantando a pleno pulmões, orgulhosos, o hino de seus países antes do início dos jogos. E nós, sejamos torcedores ou jogadores, apenas movemos lentamente os lábios, quase que sussurrando envergonhados o nosso hino, com honrosas exceções.
Porque esses povos de origem hispânica, apesar de seus enormes problemas, muitos deles superiores aos encontrados no Brasil, têm tanto orgulho de cantar o hino de suas pátrias e a gente não?
Porque existe no nosso país, hà centenas de anos, um eficiente marketing político às avessas.
Nas residências, nas escolas, e principalmente nos meios de comunicação, apenas enfatiza-se o complexo de vira-latas. Não se ensina, nem se dá valor ao amor pelo nosso Brasil. E, por conseguinte, não se cultiva a ideia de lutar e defender a nossa pátria. O que mais se ouve em escolas, dentro das casas, nas mesas de bares e restaurantes e principalmente nos meios de comunicação, é a “ridicularização” do nosso país. Por nós mesmos, no maior exercício sadomasoquista de lesa-pátria.
Sem qualquer nefasto ufanismo patriótico dos tristes tempos de ditadura militar, amar, valorizar e lutar pelo seu país são fatores imprescindíveis para que ele seja grande mesmo!
Não é desprezando o que é nosso que vamos resolver nossos problemas. Meses antes da Copa do Mundo de 2014, a imprensa papagueiou insistentemente aos quatro cantos, que teríamos vergonha de ser brasileiros. E o resultado foi exatamente o contrário do que foi dito e repetido durante meses. Turistas estrangeiros saíram daqui admirando ainda mais o nosso país. Pena que dentro campo, o mesmo não aconteceu. Mas isso a nossa imprensa não previu! E depois da Copa, nem uma só linha ou frase, com o reconhecimento dos erros grosseiros cometidos. No que eles diziam que ia dar errado e no que diziam que ia dar certo!
Como brasileiro já estou cansado de ouvir, ler, observar que nosso país parece Judas em dia de malhação!!
Enquanto isso, paraguaios, bolivianos, equatorianos e outros mais irmãos latino americanos continuam esguelhando orgulhosos os hinos de seus países. Parabéns para eles e pêsames para o nosso histórico marketing político às avessas praticado pela mídia e outros mais.
Eu continuo com o meu orgulho de ser brasileiro. Afinal, o Brasil foi a terra dos meus pais é avós e continuará sendo a minha pátria e dos meus filhos, netos, bisnetos…..
Nada mais lógico de continuar acreditando e lutando para que nosso país seja cada vez melhor. E vamos cantar com orgulho nosso hino, independente do que vai ocorrer dentro de campo. Da política ou do futebol.

LO_MB_PostVerdade

Verdade e criatividade neles!

No último programa nacional do PSDB, mentiras foram ditas. Como afirmar que o governo Dilma cortou pela metade os orçamentos da Educação e da Saúde. 
Programas eleitorais de Dilma,  na última campanha,  também mentiram,  quando afirmaram que ela não iria mexer em direitos sociais “nem que a vaca tussa” e que era o Aécio que iria fazer ajuste fiscal,  aumentar juros e reajustar preços se fosse eleito.
Ambos mentiram. E muito se mente em campanhas eleitorais. Onde está o Detecta do Alckmin? Ou o caçador de marajás do Collor? Ou a vassoura para acabar com a corrupção do Jânio? E vamos por aí história afora!!
Gente,  vamos falar a verdade: se políticos mentem,  marqueteiros têm a sua parcela de responsabilidade ou culpa. Resultado: perde o cidadão, perde credibilidade o político, a política e a democracia. 
Alguém tem que dar primeiro passo, pois do contrário todos afundamos juntos!!
Que tal a gente,  nós os marqueteiros darmos o primeiro passo para isso não acontecer. Isso mesmo! Nós tomarmos a iniciativa de convencer os nossos clientes que não falar a verdade,  agredir adversários com mentiras, inventar planos de governos que não serão postos em prática, estão cada vez mais na contramão do desejo do eleitor, atentam contra a democracia e só fortalecem grupelhos saudosos da ditadura!!
A crise do descrédito na política é grande. E a solução para ela certamente não virá com mais mentiras e agressividade. 
Vamos dar o primeiro passo,  fazer a nossa parte e alertar quem nos contrata,  que o povo brasileiro,  com o perdão da palavra,  já está de “saco cheio” dessa mesmice. Da política e do marketing político. 
Verdade e criatividade neles! Temos capacidade para isso. E vai ser melhor para os políticos,  para a democracia e para nossas consciências.  
Então,  mãos a obra,  vamos fazer a nossa parte!
LO_MF_PostImpulsionado

A Primavera virou inverno

Vamos falar português bem claro: essa “pseudo” reforma política que está sendo gestada por Eduardo Cunha e cia, nada tem a ver com a proposta da OAB, defendida pela CNBB e desejada pela população, que anseia por mais participação popular e menos interferência do poder econômico na política.
Essa pseudo reforma seria adequada ao antológico filme ”O Leopardo“ onde se mostrava claramente que “as coisas devem mudar, para ficar exatamente como estão”.
É uma reforma recheada de hipocrisia, pois quer manter as doações privadas de campanha (historicamente a maior fonte de corrupção no sistema político), diminuir o tempo de exposição das ideias na propaganda política e transformar os Deputados Federais e o Congresso, num convescote de síndicos de prédio.
Num período que a sociedade brasileira deseja ética na política, ela vai manter o poder de bancos e empreiteiras no processo político nacional? Vai diminuir o tempo de discussão política na já nossa despolitizada TV brasileira? Isso é aumentar a participação popular? Vai transformar a eleição para o Congresso Nacional em uma disputa para ver qual candidato vai conseguir mais bolas e camisas para o time de futebol do bairro? Isso é ajudar na politização do povo brasileiro? Alguns falam em baratear custos de campanha. Concordo! Basta que os custos não sejam inflados por “ pedágios “ exigidos por muitos políticos, esses mesmos que estão fazendo essa tal reforma.
E se é para baratear custos, vamos propor para que todas as empresas parem de anunciar os seus produtos na mídia. Sem os altos custos de produção e veiculação de seus comerciais, certamente todos os produtos sairiam mais baratos para os consumidores, o que seria bem adequado a esses tempos de crise.
Essa tal reforma política que Eduardo Cunha e seus discípulos estão elaborando para “atender“ a voz das ruas está me lembrando muito as tão faladas jornadas da primavera árabe, que como todos sabemos, terminou em mais uma implacável ditadura no Egito.

Políticos, Shampoos e Galinhas

Imagine um novo shampoo, uma nova cerveja ou novo sabão em pó sendo lançado no mercado sem nenhuma campanha publicitária. Com zero de comunicação e ainda com uma embalagem feia, e exposto em um lugar bem escondido, no fundo da prateleira de um supermercado.

Como é que você ia saber que esse produto existe? Difícil, não é? Conhecer as suas qualidades, então, nem pensar!

Pois nas campanhas políticas ou na comunicação pública é assim também. Se o candidato, o partido, o prefeito, governador ou presidente não mostrar seus planos, suas propostas, seu pensamento e, principalmente, as suas realizações, poucos vão saber a que ele veio e até que ele existe.

Marketing político – ou comunicação pública, como eu mais gosto de definí-lo -, nada mais é do que a galinha cacarejar na hora que bota o ovo. Se ela não fizer isso, ninguém sabe que ela botou. Quem não se comunica se estrumbica, já dizia o velho Guerreiro Chacrinha.

Política, mercado ou ovos precisam de comunicação com o público, caso contrário eles se tornam praticamente clandestinos.E pior: se um político, produto ou galinha não se comunica, e seus concorrentes o fazem, aí sim é que a porca torce mesmo o rabo, para ficarmos na analogia com o mundo animal.

Os concorrente passam por cima de você!

Então, por princípio, nada de demonizar o tal de marketing político e seus “marketeiros”, como a nossa mídia insiste em nos chamar. Eu me orgulho do meu trabalho, do meu empenho em tentar, através dele, mostrar para os brasileiros certas verdades que muitas vezes a mídia esconde ou distorce.

Bom, mas você pode dizer: e as mentiras, as falsas promessas, falsas realizações daquele candidato ou daquele governante ou partido? Aí vai uma diferença entre o meu trabalho e o dos publicitários de produtos, ou mesmo da nossa dócil galinha.

Se eles comunicam que um sabão lava mais branco e você compra, usa e sua roupa fica cinza, você troca de produto na próxima compra. Se a galinha cacareja, você pega o ovo e ele está podre, você joga fora e pega um outro, de outra galinha.

Na política, num governo, infelizmente não é assim! Se eu ajudar a vender uma mentira, o eleitor, na maioria dos casos, vai ter que esperar 4 anos para poder trocar. Então, minha responsabilidade de profissional que faz comunicação pública é muito maior que a de um publicitário de mercado, ou de uma galinha.

Mas eu acertei sempre? Tudo que ajudei a comunicar era verdade? Claro que não!

Não sou Deus, nem santo, nem demônio, nem mágico – como, aliás, muitos clientes e jornalistas acham.
Sou e somos pessoas normais, com erros e acertos, como o são os cidadãos, os políticos, os jornalistas, os juízes, os advogados, os jogadores de futebol, etc , etc, etc…

Já me arrependi de uma ou outra comunicação que fiz, mas na maior parte das vezes em que trabalhei voluntária ou profissionalmente, o fiz com paixão e acreditando no que ajudei a vender! Algumas vezes, infelizmente, me decepcionei, mas na maior parte das oportunidades que tive nesses meus 30 anos de comunicação pública, me orgulho do que fiz.

E, para mim, orgulho não está invariavelmente ligado a vitórias eleitorais. Está mais ligado a dizer a verdade. A não ganhar a qualquer preço.

Muitas vezes se ganha quando se perde. Ainda acredito que é melhor perder com a verdade do que ganhar com a mentira. Porque, depois, a fatura a ser cobrada será alta! E a vida não termina numa só eleição.

Mas melhor mesmo, é ganhar com a verdade. Como nas vezes em que trabalhei para políticos do naipe de uma Luiza Erundina, de um Eduardo Suplicy. Mas como disse algumas linhas atrás, somos humanos, com algumas virtudes e muitas imperfeições. E cada um é um!

Não existe modelo. Isso vale para candidatos e publicitários de comunicação pública.

Eu gosto de acreditar e ter afinidades com quem trabalho, para fazer isso com paixão! Tenho certeza que trabalho melhor assim.

Acredito que os dias de hoje mostram, mais do que nunca, que vai se dar melhor o político, partido ou governo que usar a verdade na sua comunicação. Comunicar a verdade é o caminho mais curto para estar de bem com a população. Andar no carro de vidro aberto, como fez o Papa Francisco recentemente no Brasil, deve ser o sonho de qualquer homem público. Principalmente nos dias de hoje!

Ainda mais nesses tristes tempos em que, justa ou injustamente, a mídia brasileira demoniza a política e os políticos. Já vivemos isso tempos atrás e o resultado foi nefasto para a democracia.

Enfrentar o desafio de defender a democracia e a pluralidade, de comunicar bem, de comunicar diferente e de verdade, é o que me move a ainda continuar a exercer minha profissão, com muito orgulho e com muita paixão!

PS – Hoje em dia, infelizmente, tem muito jornalista fazendo “marketing político” sob o manto enganoso de imprensa imparcial, nas redações de jornais, revistas, sites, rádios e principalmente tevês. E muitas vezes são eles que defendem o fim da propaganda partidária! Qual? A deles ou a nossa?

Tempo perdido ou Getúlio e Brizola no CONAR

Se o PDT fosse uma empresa privada, seguramente toda a sua gerência de marketing seria demitida e  sua agência de propaganda dispensada. Tudo isso por causa do seu programa de TV em rede nacional exibido no último dia 9 de abril.

A demissão e troca de agência certamente ocorreria, porque numa grande empresa, desperdiçar os caríssimos e preciosos dez minutos em rede nacional de TV , com um programa  recheado de equívocos publicitários e de clara  propaganda enganosa ,  seria inadmissível para a sua diretoria executiva.

Mas como estamos falando de política, esse tempo precioso e gratuito de TV é muito mal aproveitado pelos partidos, com raras exceções, como PT ou PSDB. A simples aparição do presidente do partido e de suas principais lideranças , são suficientes para deixá-los satisfeitos, esquecendo que esses dez minutos deveriam ser muito bem utilizados para que a grande massa de telespectadores aderisse às teses.

Raríssimas vezes, vemos comercias de produtos ou serviços, com os presidentes ou diretores dessas empresas. Se criam roteiros e se produzem comercias  com uma linguagem moderna  que  atraiam os telespectadores. O  PDT , assim como muitos outros partidos fazem, transformou  lideranças   algumas sem nenhum carisma,como “âncoras” do programa. Ineficiência gigantesca na TV. Serve apenas para alegrar a família, os amigos e converter os já convertidos. Não se ganha assim nem uma nova adesão ou voto!

O programa do PDT, cometeu um outro grande equívoco,  ao tentar ser “moderninho” misturando visualmente a internet , as redes sociais com a TV. São linguagens diferentes!

Cada macaco no seu galho! Que se use bem a TV e também as crescente redes sociais, mas cada uma no seu campo . Não fazer isso, é como jogar futebol na quadra de tênis e jogar tênis na cancha de bocha!

Mas o pecado maior deste último programa nacional do PDT, foi fazer Getúlio Vargas e Leonel Brizola se revirarem em seus respectivos túmulos, ao verem suas imagens serem exibidas, associadas ao partido de hoje que na TV disse ser um grande defensor dos direitos do trabalhadores,justamente ao dia seguinte que os deputados do PDT votaram a favor  do projeto de lei que estendeu à todos, a terceirização total do mercado de trabalho.

Getúlio e Brizola vendo esse programa se pudessem sairiam correndo de seus túmulos , ou para pedir  sua desfiliação partidária ou para ir ao Conar  denunciar o programa como absurda propaganda enganosa.

Será que ainda tem político achando que a população engole qualquer coisa?

Um programa como esse me faz perguntar: “é para isso que nós marqueteiros existimos?”

Nostalgia Licitatória de um Governo Sério

Chico Malfitani

Que saudades da Luiza!
Essa é  a frase que melhor expressa meu sentimento nos tempos que vivemos hoje.
Foi no governo Luiza Erundina que realizamos a primeira concorrência pública para a contratação de agência de publicidade. Até então,  essas contratações eram feitas por”notória especialização”.
Como seu assessor especial de comunicação, ao assumir esse cargo na Prefeitura de São Paulo, sugeri a Luiza que fizéssemos uma concorrência para contratar uma agência de publicidade em 1990. A idéia foi de Ricardo Kotscho em uma conversa que tivemos  antes de eu aceitar esse cargo. Luiza aceitou de pronto e nomeou a comissão de licitação: eu,  José Eduardo Martins Cardoso, então seu Secretário de Governo e a procuradora Nodete Alves,  então ligada ao vereador do PSDB Arnaldo Madeira.
É como disse Verá Aldrighi em seu artigo,  quando decidimos que a MPM ganharia a concorrência, realmente ninguém do mercado acreditou.

Lembro bem do grito de alegria e surpresa da Vera,  quando anunciei o resultado da concorrência em uma sala do prédio da Prefeitura no Ibirapuera. Como a MPM,  que havia criado o slogan da ditadura “Brasil,  ame-o ou deixe-o” ganharia essa concorrência da primeira prefeitura petista em São Paulo?
Ganhou porque era a maior agência brasileira na época e a com mais experiência em trabalhar para o poder público. Simples assim! Como tudo que envolvia o governo Luiza Erundina,  as decisões  eram tomadas por critérios técnicos. Nada mais influenciava uma concorrência. Que  saudades da Luiza. Naquele tempo dava para acreditar,  não é Vera?

Jogo Paralelo na Comunicação Pública

Vera Aldrighi comenta no Facebook:

Não sei se as reservas escandalosas do petróleo brasileiro estão se esgotando, ou se a turma de Curitiba já está sem tecnologia ou coragem para navegar nas águas profundas desse filão. Mas depois das fantásticas revelações sobre o cartel das empreiteiras, a Lava Jato vai enfiando seu nariz em outros cartéis, desta vez o das mutretas em que as agências de publicidade se envolvem para ganhar licitações em concorrências para as grandes contas públicas e até eleitorais.

Em quatro décadas de vida profissional ( duas em 3 grandes agências e duas em meu próprio escritório) participei de incontáveis concorrências baseadas em apresentações de propostas de raciocínio estratégico e de criação de campanhas, sempre do lado profissional ” mais ingênuo e batalhador” do processo, comemorando algumas vitórias e amargando muitas derrotas. O que aprendi ralando e observando esses processos? Que a qualidade das propostas é quesito básico mas não decisivo.

Um vencedor não pode se expor com um trabalho profissionalmente precário, vulnerável. Precisa ter uma qualidade aparente cada vez mais defensável e, felizmente, por isso sempre tivemos ( nós profissionais) aí um bom filão de mercado para exercer nosso engenho e arte. Mas corre, paralelamente ao trabalho profissional, um jogo político e comercial quase sempre fora do nosso alcance e entendimento. Que resulta em carta marcada com direito a comemoração final como se fosse de fato uma conquista profissional.

Eu dirigia o Planejamento da MPM quando da licitação para a conta publicitária da primeira experiência do PT em uma administração de maior importância e visibilidade política. A administração de Luiza Erundina em São Paulo. Achei que uma agência com grande experiência nas relações com o poder, e comprometida até a raiz com governos conservadores e da ditadura, não teria a menor chance com o PT. Mas mesmo sem maiores esperanças, me envolvi apaixonadamente pela natureza das questões que teria de estudar e desvendar.

Para surpresa minha e perplexidade de todo o mercado publicitário, ganhamos a concorrência. A agência passou um bom tempo dando entrevistas, comemorando e justificando a inusitada vitória com o argumento sempre palatável de que propaganda é expertise pragmático e isento de preconceitos de qualquer natureza. Internamente minha participação foi muito elogiada e reconhecida.

Me espantei quando os concorrentes me ligaram pessoalmente para cumprimentar. E quando Roberto Duallibi, o concorrente a quem já se atribuía a vitória antes do resultado, deu uma entrevista dizendo que foi o meu “excelente raciocínio de planejamento” que fez a diferença e ganhou a conta para a MPM, admitindo que sua agência, reconhecidamente voltada para a excelência do trabalho criativo, precisava reforçar suas metodologias de planejamento estratégico (na época, algumas vezes fui sondada para me mudar pra lá).

Aceitei as glórias e as delícias dos momentos de fama. Afinal, havia feito por merecer. Mas nunca, francamente, acreditei em nada disso.